Gostaria de partilhar com vocês um livro que li. O título do livro é Diário de Um Pároco de Aldeia, do autor Georges Bernanos, escrito
em 1936. Bernanos, é francês, foi à Primeira Guerra Mundial, viveu alguns meses
no Paraguai e sete anos no Brasil (1938-1945).
Diário de Um Pároco de Aldeia é um clássico da literatura francesa e
também mundial. Conta a vida de um jovem padre juntamente com sua comunidade
paroquial. É o próprio padre que vai relatando em seu diário a sua vida, a
daqueles que lhe cercam e também sobre a doença que carrega.
Desta forma, a partir da obra podemos analisar a vida, o sentido dela e
as relações pessoais. Podemos também ir de encontro com a cultura, com as
concepções que se tem de Deus, com o ser humano em suas lutas externas e
internas.
O padre é um exemplo do amor a Deus e aos outros, carrega sua cruz até o
fim da sua vida, sentindo-se realizado por reconhecer a Graça de Deus. Busca a
felicidade e o bem de seus paroquianos. Porém, não é compreendido.
Percebemos no relato do diário uma pessoa que se entristece, se questiona
e se alegra: é um ser humano normal, “é gente de carne e osso”!
Bernanos, como um excepcional autor pode nos dar uma pista do verdadeiro
sentido da vida do ser humano. Ele que tem uma vida intensa e sonhadora de um
mundo melhor. Na introdução da obra, Jean-Loup Bernanos, talvez seu filho diz:
“Bernanos amava a vida, vida que os imbecis percorrem a toda velocidade, sem se
dar o tempo de olhá-la, a vida cheia de segredos admiráveis que coloca a
disposição de todos e que ninguém jamais lhe pergunta”.
A aldeia acaba influindo na vida do pároco. A vida do pároco também influi
na aldeia. Pois, o responsável pelas vidas do rebanho está mal. Assim, as vidas
dos membros do rebanho aparentemente estão bem. Escondem-se atrás do mundo das
aparências. Ele tenta entrar na vida e relações do seu povo. Na verdade o padre
não quer que a vida dos seus fieis seja sem sentido, que não se viva por viver,
mas que busquem a felicidade. Preocupa-se com os pequenos e pobres, sofre com o
sofrimento do próximo.
Na primeira linha da obra, o padre registra no diário que a sua paróquia
é como todas as outras. Também não ficamos sabendo o nome do padre. Assim, essa
história se identifica e acontece com tantas vidas e paróquias do mundo. Oxalá,
reconheçamos que nossa vida com sofrimentos, lutas, dores e alegrias é uma
graça, pois “tudo é Graça”.
Fica a dica de um belo romance. Boa leitura. Ah, encontra-se também em
filme.
Abraço Fraterno
BERNANOS,
Georges. Diário de um pároco de aldeia.
Paulus. 2 ed. São Paulo. 2000.