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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Diário de Um Pároco de Aldeia


Gostaria de partilhar com vocês um livro que li. O título do livro é Diário de Um Pároco de Aldeia, do autor Georges Bernanos, escrito em 1936. Bernanos, é francês, foi à Primeira Guerra Mundial, viveu alguns meses no Paraguai e sete anos no Brasil (1938-1945). 

Diário de Um Pároco de Aldeia é um clássico da literatura francesa e também mundial. Conta a vida de um jovem padre juntamente com sua comunidade paroquial. É o próprio padre que vai relatando em seu diário a sua vida, a daqueles que lhe cercam e também sobre a doença que carrega.

Desta forma, a partir da obra podemos analisar a vida, o sentido dela e as relações pessoais. Podemos também ir de encontro com a cultura, com as concepções que se tem de Deus, com o ser humano em suas lutas externas e internas. 

O padre é um exemplo do amor a Deus e aos outros, carrega sua cruz até o fim da sua vida, sentindo-se realizado por reconhecer a Graça de Deus. Busca a felicidade e o bem de seus paroquianos. Porém, não é compreendido.

Percebemos no relato do diário uma pessoa que se entristece, se questiona e se alegra: é um ser humano normal, “é gente de carne e osso”!

Bernanos, como um excepcional autor pode nos dar uma pista do verdadeiro sentido da vida do ser humano. Ele que tem uma vida intensa e sonhadora de um mundo melhor. Na introdução da obra, Jean-Loup Bernanos, talvez seu filho diz: “Bernanos amava a vida, vida que os imbecis percorrem a toda velocidade, sem se dar o tempo de olhá-la, a vida cheia de segredos admiráveis que coloca a disposição de todos e que ninguém jamais lhe pergunta”. 

A aldeia acaba influindo na vida do pároco. A vida do pároco também influi na aldeia. Pois, o responsável pelas vidas do rebanho está mal. Assim, as vidas dos membros do rebanho aparentemente estão bem. Escondem-se atrás do mundo das aparências. Ele tenta entrar na vida e relações do seu povo. Na verdade o padre não quer que a vida dos seus fieis seja sem sentido, que não se viva por viver, mas que busquem a felicidade. Preocupa-se com os pequenos e pobres, sofre com o sofrimento do próximo.  

Na primeira linha da obra, o padre registra no diário que a sua paróquia é como todas as outras. Também não ficamos sabendo o nome do padre. Assim, essa história se identifica e acontece com tantas vidas e paróquias do mundo. Oxalá, reconheçamos que nossa vida com sofrimentos, lutas, dores e alegrias é uma graça, pois “tudo é Graça”.

Fica a dica de um belo romance. Boa leitura. Ah, encontra-se também em filme.

Abraço Fraterno

BERNANOS, Georges. Diário de um pároco de aldeia. Paulus. 2 ed. São Paulo. 2000.